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Ou então, acorde-me.

8.4.11
Faz o que quiser - pensa, espera, segue, decide, muda, ou para.


Mas me diz se a felicidade não se tornou mais simples, que ela não está presa em "pequenas coisas" ou "nas mais simples" e sim em todas elas e qualquer uma. Me diz que isso não inunda e torna pleno, que insandece. Fazendo assim a alma exaurir-se e a boca secar em milésimos, tornando o real em um mundo paralelo de sóis e bolhas, completamente particular.


Diz pra mim o que é bom, se não essas trocas de olhares e risos sem razão. Diz o que nem sonho em ouvir, ou sonho e não ouso imaginar. Me contenta, me inunda, mata e apodera-se. Faz o que quiser, mas não pense nem espere. Segue e decide, não mude nem pare.


Destrua.




fev/2011

Tão raso quanto fundo.

20.3.11
Os olhares perseguem e atravessam o corpo inerte, o corpo que a pouco fora um Ser com coração pulsante e emoções e nome. Nome esse que fora facilmente trocado, no fatídico instante em que o ar esvaziou os pulmões por uma última vez. Diz-se agora não mais Pessoa e sim objeto imóvel que é denominado por nomes afogados de eufemismos e olhares pesarosos.

Quando a Existência abandona o homem, ele se transforma apenas em lembrança triste, ou histórias a serem contadas, ou nem isso afinal. A vida vai deixando-o nú e em um certo espaço de tempo não passa de restos mortais de um Alguém que passou por esse mundo como uma brisa passa, ou como o breve e brutal encontro da da onda na pedra da costa.

O Viver é curto, complexo e metamórfico. Uma vez criado, não pode-se apagar a sua presença ou a lembrança de seu encontro, independente das relações humanas. O Ser é um momento paradoxal e instável; Ao mesmo tempo pequeno demais para ser eterno e grande demais para ser ignorado.

Metamórfico

29.11.10

Pode ser que se passem os dias. E passem tantos que ela nem se lembre mais. Pode ser que passe a chuva e a ventania que a força a ficar parada nesse mesmo lugar, esse hiato entre si e o Possível. Um Algo que ela se transformou, sem saber que mudava e já mudando assim ficou.

Pode ser que o mundo gire, tudo fique de ponta a cabeça e o que era certo agora só a fumaça.

Pode ser que tudo fique como sempre foi, intacto, em repouso. A calmaria costumeira que não vem precedida de uma ressaca. Pode ser que fique no porto seguro, a sua bolha, o lar, ou qualquer que seja a denominação.

Pode ser que o porto desabe, a bolha estoure e o lar seja somente uma casa qualquer. O céu que animava agora pese de melancolia ou margaridas besbotadas. Pode ser tudo, nada, ou ambos ou nenhum. Que azul vire cinza, que lágrima vire sorriso, que um botão vire uma rosa e uma árvore uma cadeira.

Mas pode ser que não.

Além do mais, mesmo.

23.5.10

Mas o que eu queria mesmo, é sentir a brisa no rosto
Com alguém do lado, em alta velocidade
Ouvindo o barulho do nada.

ambiguidade

20.3.10
Você provoca.
Olha.
Você não provoca.
Imagino. Deixo ser, penso ser.
Você nem ao menos sabe.
Ou imagina. Me instala a dúvida.
Eterna dúvida. Agonia, inquietamento.
Maldita incerteza.