Mostrando postagens com marcador Diverso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Diverso. Mostrar todas as postagens

No silêncio das pedras

6.5.11
Enquanto ele anda na rua, imagens chovem em sua mente. Enquanto as pessoas apressadas correm de encontro ao tempo, sem tempo, ele esvazia-se do real e constrói universos. Cada face é uma tela em branco e espera por ele, paciente.

Enquanto os carros passam e os homens morrem, existem abismos a serem preenchidos.

De tornado em tornado




Abre os olhos e vê tudo aquilo que por tanto tempo eles tentaram disfarças. Para de negar o mundo e as sensações de vivê-lo só por causa desse medo que ronda como uma sombra que não tem razão de existir.



Mas depois, não esquece de abri-los para contemplar a beleza que está na mais simples existência e que nada, nada resiste à sua indiferença.



E então, pode ser que o vento te transporte pra outro lugar.

Metamórfico

29.11.10

Pode ser que se passem os dias. E passem tantos que ela nem se lembre mais. Pode ser que passe a chuva e a ventania que a força a ficar parada nesse mesmo lugar, esse hiato entre si e o Possível. Um Algo que ela se transformou, sem saber que mudava e já mudando assim ficou.

Pode ser que o mundo gire, tudo fique de ponta a cabeça e o que era certo agora só a fumaça.

Pode ser que tudo fique como sempre foi, intacto, em repouso. A calmaria costumeira que não vem precedida de uma ressaca. Pode ser que fique no porto seguro, a sua bolha, o lar, ou qualquer que seja a denominação.

Pode ser que o porto desabe, a bolha estoure e o lar seja somente uma casa qualquer. O céu que animava agora pese de melancolia ou margaridas besbotadas. Pode ser tudo, nada, ou ambos ou nenhum. Que azul vire cinza, que lágrima vire sorriso, que um botão vire uma rosa e uma árvore uma cadeira.

Mas pode ser que não.

Montanha e deserto.

24.4.10



Se imagine.

Então imagine a grotesca imensidão do universo. Ou menos, da Terra. Diga se não se sente nem um pouco pequeno. Tão pequeno como um grão de areia, que ao menor vento é levado para o outro lado do mundo. Tão pequeno que no máximo 500 pessoas sabem seu nome, em conta de que existem um pouco menos de seis bilhões e meio de pessoas em todo o globo.

Agora, imagine, que além da Terra existem centenas de milhares de outros planetas e estrelas e galáxias inteiras, contendo mais planetas e estrelas. Então pense em um grão de areia. O quão pequeno ele lhe parece?

E se um vento pode levá-lo, isso é ruim? Se ele pode ser leve e livre, ser um grão não pode ser tão ruim. Ele muda, ele sai, ele foge, ele faz o que quer. Uma pedra pode ser maior, mas ela é sempre e nunca. Sempre o mesmo e nunca o diferente. Uma montanha será sempre uma montanha. Mas um grão pode ser uma praia, um deserto.

Prazer, grão de areia.

Sempre em frente, soldado.

19.4.10

A escalada é grande. E a ladeira é muito íngreme.
O céu parece estar sempre longe. O vento corta sua pele.
O sol dilacera seus olhos. Mas você não tem como voltar atrás.
Você nunca tem. Essa água não passará de novo nesse rio.

Então você força mais um passo.
Avante, soldado.