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Indiferente

15.10.10


- volta cá.
- espera.
- não, fica.
- não posso.
- vem aqui.
- agora não.
- me olha.
- estou cego.
- me ouve
- estou surdo.
- sente o que eu sinto.
- estou incapaz.

Batimentos cardíacos matematicamente calculados. Expressões congeladas. Palavras frias. Evasivas.

Inexpressivo. Insensível. Indiferente.

Estatica

28.9.10

Os sentimentos andam rasos. O amor é fugaz; raiva passageira; bondade desconfiada e felicidade tão profunda quanto uma poça d'água. Quero querer matar alguém. De asfixia ou risadas. Pular da ponte, com certeza. Meu riso largo amarelou, meu choro secou. Não há motivos, é novidade. E ultimamente não vejo necessidade de me gritar por aí. Onde estão meus quereres infinitos! Quero o que eu quiser, de volta. Preciso reencontrar isso que nem eu sei; preciso daquela lâmpada acesa, tão comum de pouco tempo atrás. Minha caixinha de surpresas não sei onde foi parar, nem porque sumiu.

Estou cinza. É necessário esforço para eu mesma notar-me nesse meio de pessoas fictícias, sorrisos de plástico e nervos de bolha de sabão. Onde está meu entusiasmo? Não acredito que toda curiosidade por esse Mundinho correu rio a baixo e perdeu-se, como a areia da praia que foge das mãos. O novo tornou-se mais uma vez desinteressante mas eu mesma não percebi, ou será que me encontro envolvida por uma daquelas nevoas ilusórias que teimam em pregar peças trocando vermelho por amarelo, riso por contentamento e normalidade por marasmo?

Mostre-me um tudo e talvez nós riremos desse mundo com rostos de porcelana e olhos de botão, tão chatos.

Esse mundo, esse roubo.

2.4.10


As pessoas tem seus momentos de imaginação. Absurdos, tridimensionais ou não, inalcansáveis ou a um palmo de distância, insanos. Todos tem um. Por mais bobo ou impossível. Ele existe, ele está lá, fazendo-as lutarem ou reclamar da vida real o quanto possível. Existe uma hora do dia, da semana ou do mês, que param e pensam e sonham e flutuam. Flutuam. Por mundo imaginados, realidades extraordinárias ou por uma simples mudança. Com a idade, o homem vai perdendo a vontade ou a capacidade de se infiltrar no mundo dos sonhos. Nem que seja imaginando, acordado. Os olhos conseguem enxergar bem demais a realidade, e somos obrigados a abandonar nossa imaginação de lado, nos resiginando com o que nos é dado. Caridosamente dado.

Afortunados os que mantêm a capacidade de imaginar até o fim da vida.

To John, with love.



Um tributo aleatório a John Lennon. Por sua genialidade, força de vontade e voz. Mas principalmente, pelas fotos que nos deixou de presente.
7.3.10


Combinação perfeita.

Ideias

18.1.10


Ideias, ideias. Escritas num guardanapo, epifânicas, sem sentido ou intergalácticas. A diferença estar em botar em ação, ou não.

Mostre-me.

10.1.10



Me dizem que existe um mundo lá fora.

Mas, aonde é "lá fora"?

Controverso.

23.12.09


agora, apenas um sopro.

Epitáfio


Foi engraçado achar essa tira, eu tenho essa dúvida sempre. Se um dia, qualquer dia entre todos os dias, nós podemos de uma hora pra outra simplesmente morrer, então porque passamos a vida toda nos preocupando? Você pode se preocupar com isso durante anos, um dia, quando você esquece e vai tomar um banho, escorrega no sabonete e quebra o pescoço. Nós somos tão frágeis. Morremos por qualquer coisa, seja uma gripe que se agravou ou um maníaco com um arma na mão bem no dia do aniversário da sua tia. Do nada, quando você menos esperar. É por isso que eu acredito em ditados populares, "A morte não manda recado". E não manda mesmo, você pode engasgar com uma batata-frita almoçando com sua irmã no McDonald's. O que levamos dessa vida? Alguma coisa vale a pena realmente, já que dela nem vivo saímos?
Como dizem, a morte é nossa única certeza. E no final das contas, vivemos só para esquecer que um dia teremos que morrer. Fui enganada.

Mesmas perguntas

22.11.09
Respostas diferentes. A minha, quase sempre, a mesma.

Números

12.11.09

Enlouquecem! São tantos, em todos os lugares, a todo tempo. As vezes vem disfarçados, como um delta, um alfa ou outro qualquer. Equações, inequações, logarítimos, exponenciais, raizes, trigonometria, sen de alfa, cos de beta, a soma do quadrado dos catetos. Cansam, enlouquecem. Seria bom entendê-los, de vez em quando.

Meias ideias

4.11.09


Meias ideias. Tenho a todo tempo. Ideias soltas, pensamentos infundados, perdidos por aí. Minha memória fraca ajuda a esquecer essas metades pra sempre, o que as vezes é bom mas na maioria das vezes, de fato, é ruim. A sensação de vazio quando você tenta lembrar de algo que sabe que está ali, mas não sabe onde, é deprimente. Um endereço, uma música, uma pessoa, uma data importante, nome, telefone, cor, palavra, gesto. Meias ideias. As vezes elas surgem 'meias' também, não completadas, nascidas de um momento de distração criativo, num guardanapo do restaurante, num pedaço de folha arrancado do caderno. Desta vez não a minha memória mas o vento ou o acaso tratarão de esquecê-las. Nadar, nadar e morrer na praia. Meias ideias.




Flashes. Fade to black. Nothing new.

O ciúme

31.10.09

Ciúme: Do lat. *zelumen < 'cuidado'; 'ardor'; 'inveja'; 'ciúme'.
1. Sentimento doloroso que as exigências de um amor inquieto, o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou a certeza de sua infidelidade fazem nascer em alguém; zelos.

Ciúme é aquele sentimento de angústia que você sente quando vê alguém se aproximando de algo ou alguém que julgava ser de sua propriedade. Ciúme é quando você olha de soslaio. Ciúme é quando você julga. E sofre, e sente, e reprime. Ou não, você pode dar um soco em alguém sem pensar em nada, só com esse sentimento batendo forte dentro do peito.

Você pode ter ciúme de alguém que goste, de um objeto, de um animal. Ciúme até de alguém que você nem conhece, aquela pessoa que você vê todos os dias na rua, a caminho do trabalho. Quem disse que esse sentimento como todos os outros, é pra ser entendido? Ele é nada mais que um misto de amor com a posse.

Ciúme é tensão, insegurança, autoritarismo. Ou ciúme é amor? Quando você começa a remexer nas coisas do seu namorado, vasculhar os bolsos e pegar furtivamente o celular, achar que todos te trâem, não é mania de perseguição? Não dá pra saber quando o ciúmes ultrapassa o limite da razão. Mas, esse limite existe, de fato?

Meu ciúmes é incontrolável. É tão fácil sentí-lo e tão difícil escondê-lo. Será uma doença?