Meia Xícara

29.5.11


Disfarço tristeza com dor de cabeça, disfarço irritação com pressa, disfarço interesse com indiferença. Simplesmente disfarço, por puro hábito.

Acabo assim, meio inacabado, meio disfarçado.
Inteiro pela metade.


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Moribundo

16.5.11


Estou perdendo a saude mental. Não te vejo mais por aí, rondando meu dia com seus olhares curiosos. Não escuto mais teu riso largo. Não encontro mais seus beijos pela tarde ou seu abraço quente. Tenho duvidas. As memórias estão cada vez mais escassas e não consigo definir se tudo aquilo (ou isso) aconteceu há um mês, ou dez anos.

É vago.

Todas as lembranças a sua volta se apagam pouco a pouco, com minha ajuda. Só você permanece. Lembro teus gostos como se fossem os meus, cada infeliz e inesquecível detalhe, cada pinta da suas costas. Cada timbre, cada tipo de humor e seus autores favoritos. Teu cheiro está impregnado em mim.

E o que sobrou? Esse pouco que sobrei depois da partida. Esse fiasco, esse projeto inacabado, que tenta amenizar tua memória e falha. Como prossegue? Se é inerente ao esquecido transformar o falho em drama, por que não consigo fazer de você um romance e te escrevo logo um capítulo final com um desfecho emocionante?


E me responda, como fiquei tão clichê depois de você.


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O grito do mudo.

8.5.11
Falho miseravelmente. Pareço um mímico de rua. Imito o riso, imito a felicidade, imito convicções e tristezas. Me minto. Tento não destuar, mas sou pássaro estranho. Me canso. Essas luzes são fortes demais para meus olhos gastos, e ainda continuo com essa sede de dilúvio.


Me recolho. E sorrio, dissimuladamente.


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Era pra ser poesia

6.5.11
Mas você nem ao menos sabe.

Você nem ao menos vê.


E se sabe, finge.


Ignora.


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No silêncio das pedras

Enquanto ele anda na rua, imagens chovem em sua mente. Enquanto as pessoas apressadas correm de encontro ao tempo, sem tempo, ele esvazia-se do real e constrói universos. Cada face é uma tela em branco e espera por ele, paciente.

Enquanto os carros passam e os homens morrem, existem abismos a serem preenchidos.

De tornado em tornado




Abre os olhos e vê tudo aquilo que por tanto tempo eles tentaram disfarças. Para de negar o mundo e as sensações de vivê-lo só por causa desse medo que ronda como uma sombra que não tem razão de existir.



Mas depois, não esquece de abri-los para contemplar a beleza que está na mais simples existência e que nada, nada resiste à sua indiferença.



E então, pode ser que o vento te transporte pra outro lugar.